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Simples ou Lucro Presumido: qual paga menos para o médico?

Escrito por Equipe adm.doctor · Publicado em · 14 min de leitura

Capa do artigo "Simples ou Lucro Presumido: qual paga menos para o médico?", com o logotipo da adm.doctor

Resposta curta

Em São Paulo, com regras de 2026, o Simples no Anexo III paga menos até cerca de R$ 26 a 27 mil por mês, se o pró-labore for de pelo menos 28% do faturamento; acima disso, o Lucro Presumido paga menos. Sem a regra dos 28%, o Simples só compensa abaixo de uns R$ 15 mil por mês.

Os números abaixo são exemplos. A alíquota final do seu caso só sai com a conta da sua empresa: cidade, sócios, pró-labore e faturamento dos últimos 12 meses mudam tudo.

  • O que é cada regime
  • Simples e Presumido lado a lado
  • Quanto paga cada regime, em reais
  • Quando cada um ganha
  • Quando e como trocar de regime
  • Perguntas rápidas

O que é cada regime, em palavras simples?

Regime tributário é a regra que a sua empresa escolhe para calcular o imposto. Para o médico com CNPJ, as opções de verdade são duas.

  • Simples Nacional: junta quase todos os impostos numa guia só, o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). A alíquota cresce conforme a receita dos últimos 12 meses (Lei Complementar 123/2006).
  • Lucro Presumido: a lei "presume" que 32% do que você fatura é lucro (essa fatia é a chamada presunção) e cobra o imposto de renda da empresa sobre esse pedaço (Lei 9.249/1995, arts. 15 e 20). Os impostos saem em guias separadas, e o ISS (imposto da prefeitura sobre serviços) é pago à parte.

Existe um terceiro, o Lucro Real, em que o imposto é calculado sobre o lucro de verdade, depois de todas as despesas. Para quem dá plantão ou atende em consultório, quase nunca compensa, porque o médico tem pouca despesa e muita burocracia nesse regime.

Lado a lado: o que muda entre Simples e Lucro Presumido?

PontoSimples NacionalLucro Presumido
GuiaUma só, o DAS, todo mêsVárias: DARF (guia de imposto federal) e guia do ISS da prefeitura
Imposto da empresaA tabela da lei começa em 6% no Anexo III e em 15,5% no Anexo V, e chega a 33% e 30,5% nas faixas mais altas. A alíquota efetiva (o percentual que você paga de verdade, depois do desconto de cada faixa) fica abaixo desses númerosCerca de 13,33% em São Paulo: 11,33% de impostos federais (IRPJ, o imposto de renda da empresa; CSLL, a contribuição sobre o lucro; PIS e COFINS, as contribuições sobre o faturamento) + 2% de ISS
Muda com o faturamento?Sim, sobe por faixa de receita dos últimos 12 mesesQuase fixa; sobe com o adicional de 10% do IRPJ quando a receita passa de R$ 62.500 por mês, e de novo quando a receita passa de R$ 5 milhões por ano (veja a linha do limite)
INSS da empresa sobre o pró-laboreJá está dentro do DAS20% a mais, pagos à parte (Lei 8.212/1991, art. 22)
Retenção do hospital na notaEm regra, não há retenção de IR, PIS, COFINS e CSLLO hospital pode reter 4,65% de PIS, COFINS e CSLL (Lei 10.833/2003, arts. 30 a 32) e 1,5% de IR (Decreto 9.580/2018, art. 714), cerca de 6,15% da nota
Limite de faturamentoAté R$ 4,8 milhões por anoAté R$ 78 milhões por ano (Lei 9.718/1998, art. 13). Em 2026, a parte da receita acima de R$ 5 milhões por ano passou a ter a presunção aumentada em 10% (Lei Complementar 224/2025), o que quase nunca atinge o médico que trabalha sozinho

A retenção não é imposto a mais: é um adiantamento que a sua empresa desconta depois. Mas ela reduz o dinheiro que cai na hora: numa nota de R$ 10 mil, são cerca de R$ 615 a menos no dia do pagamento.

Por que no Simples o médico pode pagar 6% ou 15,5%?

Por causa do Fator R, a conta que divide a folha de pagamento (pró-labore, salários, FGTS, 13º e INSS da empresa dos últimos 12 meses) pela receita dos mesmos 12 meses (LC 123/2006, art. 18, §§ 5º-J, 5º-M e 24).

  • Fator R de 28% ou mais: a empresa vai para o Anexo III, a tabela mais barata, que começa em 6%.
  • Fator R abaixo de 28%: a empresa vai para o Anexo V, que começa em 15,5%.

Exemplo: quem fatura R$ 20 mil por mês precisa de pelo menos R$ 5.600 de pró-labore por mês (28% de R$ 20 mil) para ficar no Anexo III. A conta é refeita todo mês. Se em um mês o pró-labore ficar curto, a empresa pode cair no Anexo V naquele mês. No simulador da adm.doctor, o Anexo III aparece como "Simples tipo A", e o Anexo V, como "Simples tipo B".

O porém: pró-labore alto paga INSS de 11% do sócio (até o teto de R$ 8.475,55 em 2026) e imposto de renda na tabela da pessoa física, que chega a 27,5%. É por isso que a vantagem do Anexo III encolhe quando a renda sobe.

Quanto paga cada regime, em reais?

Três médicos de exemplo, cada um sozinho na própria empresa, em São Paulo, faturando o mesmo valor todo mês há um ano. Somamos tudo o que vira imposto: o da empresa, o INSS e o IR do pró-labore.

  • Simples, Anexo V: pró-labore de 1 salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026).
  • Simples, Anexo III: pró-labore de 29% do faturamento, com folga sobre os 28%. Com exatamente 28%, o total do Anexo III fica um pouco menor; usamos 29% para a empresa não cair no Anexo V num mês de faturamento mais alto.
  • Lucro Presumido: pró-labore de 1 salário mínimo, ISS de 2% e 20% de INSS da empresa sobre o pró-labore.
Faturamento por mêsSimples, Anexo VSimples, Anexo IIILucro Presumido
R$ 15.000R$ 2.503,31 (16,7%)R$ 1.378,50 (9,2%)R$ 2.502,01 (16,7%)
R$ 25.000R$ 4.303,31 (17,2%)R$ 3.669,89 (14,7%)R$ 3.835,01 (15,3%)
R$ 40.000R$ 7.153,31 (17,9%)R$ 6.887,19 (17,2%)R$ 5.834,51 (14,6%)

Em negrito, o mais barato de cada linha. O percentual é o total de imposto dividido pelo faturamento. A linha de R$ 25 mil é a que mostramos passo a passo logo abaixo.

Como chegamos ao valor de R$ 25 mil?

  1. Anexo V: a receita de 12 meses é R$ 300 mil, que dá alíquota efetiva (o percentual real, já com o desconto da faixa) de 16,5%. DAS de R$ 4.125,00 + INSS do sócio de R$ 178,31 = R$ 4.303,31.
  2. Anexo III: alíquota efetiva de 8,08%, DAS de R$ 2.020,00. O pró-labore de R$ 7.250 paga R$ 797,50 de INSS e R$ 852,39 de IR. Total: R$ 3.669,89.
  3. Lucro Presumido: 13,33% de R$ 25 mil = R$ 3.332,50. Mais R$ 324,20 de INSS da empresa e R$ 178,31 de INSS do sócio. Total: R$ 3.835,01.

O que sobra depois disso é lucro, e o lucro distribuído ao sócio segue isento até R$ 50 mil por mês da mesma empresa. Acima disso, desde 2026, a retenção de 10% incide sobre o valor total do mês, e não só sobre o que passa de R$ 50 mil (Lei 15.270/2025). Quem recebe mais de R$ 600 mil por ano, somando tudo, também passa pela tributação mínima anual (IRPFM, um imposto de renda mínimo acertado na declaração), criada pela mesma lei.

Então, quando cada um ganha?

  • Até cerca de R$ 26 a 27 mil por mês: o Simples no Anexo III costuma ganhar, desde que o pró-labore fique acima de 28% do faturamento todo mês.
  • Acima de cerca de R$ 27 mil por mês: o Lucro Presumido costuma ganhar, porque o pró-labore alto exigido pelo Anexo III passa a pagar IR de 27,5%.
  • Simples no Anexo V: abaixo de uns R$ 15 mil por mês, ele paga menos que o Presumido (em R$ 10 mil: R$ 1.728 contra R$ 1.836), mas o Anexo III ganha dos dois. Em R$ 15 mil ele empata com o Presumido; daí para cima, perde.

Esse ponto de virada vale para o exemplo acima: em R$ 26 mil o Anexo III ainda ganha (R$ 3.898 contra R$ 3.968), e em R$ 27 mil o Presumido já ganha por pouco (R$ 4.101 contra R$ 4.113). Em outra cidade, com outro ISS, com sócios ou com funcionários, ele anda para cima ou para baixo. Quer ver com o seu valor? Faça a conta no simulador.

O que a conta não mostra e pode mudar o resultado?

  • ISS da sua cidade: varia de 2% a 5% conforme a prefeitura. Com ISS de 5%, o Presumido fica 3 pontos mais caro. Algumas cidades cobram um ISS fixo por médico de sociedade uniprofissional (empresa só de médicos que trabalham pessoalmente).
  • Equiparação hospitalar: quando a empresa presta serviço hospitalar, a presunção cai de 32% para 8% no IRPJ e de 32% para 12% na CSLL (Lei 9.249/1995, arts. 15, § 1º, e 20). Consulta não entra, e a empresa precisa ser sociedade empresária e seguir as normas da Anvisa (Lei 11.727/2008), com alvará da vigilância sanitária.
  • Faturamento que varia: no Simples, a alíquota olha os últimos 12 meses. Um ano forte empurra a alíquota para cima no ano seguinte.
  • Custo de manter a empresa: contador, CRM-PJ (o registro da empresa no Conselho Regional de Medicina) e certificado digital (a assinatura eletrônica da empresa) existem nos dois regimes. Alguns contadores cobram mais pelo Presumido.
  • Reforma tributária: PIS e COFINS dão lugar à CBS a partir de 2027, e o ISS vai sendo trocado pelo IBS até 2033 (CBS e IBS são os novos impostos sobre consumo). A comparação entre os regimes vai mudar.

Quando e como dá para trocar de regime?

A troca não é a qualquer hora. A regra é por ano.

  1. Para entrar no Simples: a empresa pede no Portal do Simples Nacional até o último dia útil de janeiro, e vale para o ano todo (LC 123/2006, art. 16, § 2º). Empresa nova pede em até 30 dias da última inscrição (municipal ou estadual), sem passar de 60 dias da abertura do CNPJ (LC 123/2006, art. 16, § 3º, e Resolução CGSN 140/2018, art. 6º).
  2. Para sair do Simples por escolha: se o pedido for feito em janeiro, vale no mesmo ano. Em outro mês, só vale a partir de 1º de janeiro do ano seguinte (LC 123/2006, arts. 30 e 31).
  3. Para ficar no Lucro Presumido: a escolha acontece quando a empresa paga a primeira quota do IRPJ do 1º trimestre, que vence no fim de abril, e vale até dezembro (Lei 9.430/1996, art. 26, § 1º). A guia de PIS e COFINS paga antes disso não faz a escolha.

Por isso, a hora de refazer a conta é novembro e dezembro, com o faturamento do ano na mão. Quem passa do teto de R$ 4,8 milhões por ano sai do Simples por obrigação.

Quais erros mais custam caro?

  • Ficar no Anexo V sem saber. Muito médico abre a empresa no Simples, tira pró-labore de um salário mínimo e paga 15,5% ou mais sem perceber. Confira no DAS qual anexo aparece.
  • Escolher pelo "imposto da empresa" e esquecer o pró-labore. O Anexo III parece 6%, mas o INSS e o IR do pró-labore entram na conta. Compare sempre o total, como na tabela acima.
  • Não acompanhar o Fator R mês a mês. Um mês de faturamento alto sem aumentar o pró-labore pode jogar a empresa no Anexo V.
  • Nunca revisar. A melhor escolha de quando você tinha 4 plantões por mês pode não ser a de agora.

Onde a adm.doctor entra nessa história?

Coloque o seu faturamento no simulador e veja, em reais, quanto cada regime cobra no seu caso. O imposto é calculado pelo mesmo motor; o simulador também soma contador, CRM-PJ e certificado, por isso o total dele fica maior que o da tabela acima.

O que a adm.doctor faz no dia a dia, pelo app (no plano Associado, em que você não precisa de empresa própria):

  • Emite a nota fiscal do plantão para o hospital, pelo nosso time.
  • Paga o imposto antes do repasse, sem guia para você lembrar.
  • Manda o PIX líquido (o valor que sobra depois do imposto) para a sua conta pessoal.
  • Mostra as faturas a receber de cada hospital, com o status atualizado.
  • Precisa do dinheiro antes? Fale com a gente para saber se o seu plantão pode ser antecipado.
  • Emite a nota para paciente particular e gera o link de pagamento.

Sem taxa de adesão e sem multa de rescisão. Baixe o app adm.doctor e veja o imposto de cada plantão separado do PIX que cai na sua conta.

A troca de regime é decisão da sua empresa, feita com quem cuida da contabilidade dela. Quer entender o seu caso antes? Fale com o time da adm.doctor.

De onde vêm os números?

Tabelas do Simples: Anexos III e V da Lei Complementar 123/2006, com a alíquota efetiva calculada pela fórmula oficial (receita de 12 meses × alíquota da faixa − parcela a deduzir, que é o desconto fixo de cada faixa, dividido pela receita de 12 meses). Lucro Presumido: IRPJ de 15% e CSLL de 9% sobre a presunção de 32%, mais o adicional de 10% do IRPJ sobre o lucro presumido acima de R$ 20 mil por mês (Lei 9.249/1995, arts. 3º, 15 e 20); PIS de 0,65% (Lei 9.715/1998, art. 8º, I) e COFINS de 3%, com a base de cálculo (Lei 9.718/1998, arts. 3º e 8º); ISS de 2% de São Paulo para serviços de saúde. INSS do sócio de 11% até o teto, descontado pela empresa (Lei 8.212/1991, art. 30, § 4º, e Lei 10.666/2003, art. 4º), e INSS da empresa de 20% sobre o pró-labore (Lei 8.212/1991, art. 22, III). IR do pró-labore pela tabela mensal vigente (Lei 15.191/2025) com a redução de 2026 para rendas até R$ 7.350 (Lei 15.270/2025). Salário mínimo de 2026: R$ 1.621,00. Regras e prazos gerais: Receita Federal.

O imposto é calculado pelo mesmo motor do nosso simulador; o simulador também soma contador, CRM-PJ e certificado. São estimativas com regras de 2026: a alíquota exata do seu caso depende da sua empresa e deve ser conferida pelo contador.

Perguntas rápidas

Qual é o regime mais barato para médico em 2026?

Não há um só. No exemplo de São Paulo, o Simples no Anexo III ganha até cerca de R$ 26 a 27 mil por mês; acima disso, o Lucro Presumido tende a ganhar.

Médico paga 6% no Simples?

Só no Anexo III, na primeira faixa (até R$ 180 mil por ano), e com pró-labore de pelo menos 28% do faturamento. Sem isso, a alíquota começa em 15,5%.

Quanto é o imposto do Lucro Presumido para médico?

Cerca de 13,33% do faturamento em São Paulo (11,33% federais + 2% de ISS), mais 20% de INSS da empresa sobre o pró-labore. Em cidade com ISS maior, sobe.

Posso trocar de regime no meio do ano?

Em regra, não. A troca vale por ano: entrar no Simples é em janeiro, e o Presumido fica escolhido quando a empresa paga a primeira quota do IRPJ (imposto de renda da empresa) do 1º trimestre, que vence no fim de abril.

Qual o melhor regime para médico plantonista?

Faturando até cerca de R$ 26 a 27 mil por mês, costuma ser o Simples no Anexo III, com pró-labore acima de 28%. Acima disso, o Lucro Presumido tende a pagar menos, mas o hospital pode reter cerca de 6,15% da nota, o que diminui o dinheiro que cai na hora.

Quanto de pró-labore preciso para o Fator R?

Pelo menos 28% do faturamento, somando os últimos 12 meses. Quem fatura R$ 20 mil por mês precisa de R$ 5.600 de pró-labore por mês para ficar no Anexo III.

O Fator R conta só o pró-labore?

Conta a folha toda dos últimos 12 meses: pró-labore dos sócios, salários de funcionários, com FGTS e 13º, e o INSS pago pela empresa, divididos pela receita do mesmo período.

Clínica médica pode ser Simples Nacional?

Pode. A lei não proíbe medicina no Simples, desde que a receita fique até R$ 4,8 milhões por ano. A clínica cai no Anexo III ou no Anexo V conforme o Fator R (a folha dividida pela receita), como o médico sozinho.

Quanto custa o contador em cada regime?

Varia de escritório para escritório. No Lucro Presumido há mais guias e mais declarações, e muitos contadores cobram mais por isso. Peça o preço dos dois regimes antes de trocar e some ao imposto na comparação.

A adm.doctor troca o regime da minha empresa?

A troca é decisão da sua empresa com o contador dela. A gente explica a conta pelo contato do site; no app, no plano Associado, cuidamos da nota, do imposto antes do repasse e do PIX líquido.

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